8 de janeiro de 2012

GINÁSTICA DE RELAXAMENTO

Ir.: Luiz Fernando Oliveira Nambu  Or.: de Belo Orizonte
 







1 - Ginastica de Relaxamento
Entregue ao Pai Celestial todas as tuas cargas, preocupações e tristezas.
(Salmo 37:4-8; 46:10; Romanos 8:18 e Filipenses 4:6)

2 - Ginástica respiratória
Respire apenas a atmosfera de paz, amor e felicidade.
(Colossenses 3:13; Hebreus 12:2 e 14)

3 - Ginástica ocular
Veja somente o bem em teus semelhantes.
(Filipenses 2:3; Mateus 26:7-10 e Romanos 3:29)

4 - Ginástica auditiva
Escute a voz de Deus.
(Salmo 8:5 e 8; Isaías 6:8 e Provérbios 21:13)

5 - Ginástica para a mente
Exercite exclusivamente idéias construtivas.
(Salmo 1:2 e Filipenses 4:8)

6 - Ginástica para a língua
Pronuncie apenas palavras edificantes e caridosas.
(Colossenses 3:16; Mateus 5:37 e Romanos 31:26)

7 - Ginástica facial
Sorria, sorria, sorria o dia inteiro.
(I Tessalonicenses 5:16; Salmo 126:5 e Filipenses 2:10)

8 - Ginástica para as pernas
Ande sem temer pelos caminhos em que Deus te guiar.
(Isaías 55:1-8; Filipenses 2:10 e Romanos 12:12-13)

9 - Ginástica para as mãos 
Una-as diariamente, para uma oração especial.
(I Timóteo 2:8; Romanos 31:20 e Salmo 134:2)

10 - Ginástica para o coração
Irradie sentimento de amor.
(Romanos 12:9 e Jó 1:35)

11 - Ginástica para a alma
Tenha todos os dias contato com Deus.
(Miquéias 6:8; Romanos 12:9 e Lucas 21:19)

Pois é... engana-se quem pensa que só o corpo precisa de disciplina em relação a exercícios...

7 de janeiro de 2012

OS CONFLITOS ENTRE A MAÇONARIA E A IGREJA CATÓLICA NO BRASIL




No primeiro quartel do século XIX, a Maçonaria trabalhava no sentido de operar importantes transformações na sociedade brasileira. Dentre os projetos mais importantes, destacam-se: separação entre a igreja e o estado; instituição do casamento civil, instauração da liberdade religiosa; e a introdução do sistema republicano de governo.
O papa Leão XII disse em sua encíclica de treze de março de 1825: “as obras sobre religião e sobre a república que seus membros ousam à luz da publicidade...”(2). A semente da república estava sendo lançada: os líderes religiosos da época começaram a se preocupar com a possibilidade de perder o poder temporal. Apesar da diferença entre o pensamento maçônico e o da Igreja, o relacionamento entre a Igreja e maçonaria acontecia sem maiores tropeços.
Enquanto isso, os padres defendiam abertamente idéias liberais, identificando-se com os maçons da época. Em conseqüência, muitos deles foram iniciados na maçonaria, alguns com o consentimento e outros apenas com a tolerância dos bispos. Em novembro de 1872 “a paz termina quando, numa homenagem prestada pelas Lojas Maçônicas do Rio de Janeiro ao Grão-Mestre, o Visconde do Rio Branco, registra-se um incidente de maior monta. O padre Almeida Martins, que também é maçom, apresenta-se na cerimônia em seu traje de sacerdote e faz um discurso de saudação, representando a Loja do Grande Oriente do Lavradio, recebendo, por isso, uma punição do bispo diocesano, D. Pedro Maria de Lacerda. Reincidente em sua atuação é então suspenso das ordens sacras. Começa aqui uma guerra surda em que maçons passam a hostilizar a Igreja, enquanto esta, por seus bispos, age duramente contra os religiosos renitentes na pratica da maçonaria. Ocorre, então, um incidente ainda mais grave. O bispo de Olinda, D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, jovem de vinte e poucos anos, resolve aplicar, na época sob a sua jurisdição, as recomendações da Encíclica de 1864 do papa Pio IX, proibindo o clero de participar das cerimônias patrocinadas pelos maçons. O bispo chama particularmente cada um dos sacerdotes envolvidos e ordena-lhes que se dediquem tão somente à vida religiosa, afastando-se de atividades estranhas aos conventos. Encontrando oposição, D. Vital acabou por suspender as irmandades recalcitrantes, impedindo-as de receber novos membros, de participar de ofícios religiosos e até de vestir seus hábitos. Algumas destas irmandades recorrem ao governo e D. Vital, por sua parte, recorre ao papa, que lhe dá poderes para agir com rigor contra os rebelados. Está formado o embrulho, provocado pela espúria união entre a Igreja e o Estado(...)”(1) O incidente teve conseqüências nas outras unidades da federação; o bispo de Belém do Pará, D. Antonio Macedo Costa, reagiu e passou a atacar a Maçonaria. Diante dos recursos apresentados pelas irmandades, o Governo exigiu que D. Vital voltasse atrás e pusesse fim e à suspensão sob pena de ser processado. “O bispo responde com toda a calma e, depois de apresentar suas homenagens ao Imperador e seu respeito pelo Governo, acrescenta que se deve obedecer antes a Deus que aos homens e que recebia, naquele mesmo dia, do Governo, o aviso para suspender o interdito às irmandades, e, do Papa, seu Breve aprovando seus atos.”(5) Não tendo sido atendido, o governo avisa as irmandades que haviam feito os recursos que as mesmas estavam liberadas para suas atividades religiosas e civis. Como punição a Igreja, “o governo suspendeu o pagamento dos salários dos padres, que, naquele tempo, eram sustentados com recursos públicos. Finalmente foi ordenado que D. Vital fosse processado por desobediência e desacato. Foi então expedida a ordem para prender o bispo e mandá-lo para o Rio de Janeiro, onde seria julgado pelo Supremo Tribunal.”(5).

O bispo foi preso no Palácio Episcopal, em Recife, por um Juiz, o chefe de polícia e um Coronel. D. Vital apresentou-se às autoridades totalmente paramentado, com mitra e báculo, e assim foi preso. D. Vital foi julgado e condenado a quatro anos de prisão com trabalhos forçados.
Nos anos que se seguiram, as hostilidades continuaram no campo das idéias. O papa Leão XIII em sua encíclica de 20 de abril de 1884, disse: ”os maçons defendem a idéia de que os chefes de governo têm poder sobre o vinculo conjugal. Na educação dos filhos não há nada a lhes prescrever em matéria de religião. Já em muitos países, mesmo os católicos, esta estabelecido que fora do casamento civil não há união legítima.”(3) Nessa encíclica, o papa protesta contra a Maçonaria, por estar defendendo a liberdade de religião e a instituição do casamento civil. Isso poderia ser traduzido em perda de influência da Igreja sobre os fiéis. Leão XIII, cinco anos antes da proclamação da Republica no Brasil, disse também nesta encíclica que “segundo os maçons, todo o poder esta no povo livre; os que exercem o poder só são detentores pelo mandato ou pela concessão do povo.”(4) Na mesma encíclica o papa afirma que o poder pertence a Deus, o qual transferiu à Igreja a responsabilidade de governar ou de indicar alguém que fosse capaz de fazê-lo.(...)
O conflito no campo das idéias prosseguiu até o início do século XX. Os esforços para a evolução social e política eram divididos entre os católicos conservadores, os liberais e cienticifistas. A Igreja católica defendia o pensamento conservador e a Maçonaria o liberal. A igreja tinha nas mãos as escolas que educava somente os ricos; a Maçonaria agiu no sentido de mudar esta situação. Criou escolas noturnas e diminuiu o custo do ensino, tornando-o mais acessível as classes menos abastadas. Isto frustrou o objetivo da Igreja, que era manter o status quo da época, ou seja, impedir que o poder mudasse de mãos. Após o primeiro quartel do século XX não se teve mais noticias de conflitos entre a Igreja e a Maçonaria.
Aliás, é interessante mencionar que entre os membros da Maçonaria brasileira estão inúmeros evangélicos e católicos praticantes.
Ir:. Elias Mansur Neto
Venerável da Loja Maçônica Cavaleiros Templários, em Belo Horizonte, MG. E-mail (eliasmn@terra.com.br) ( eliasmn@cavtemplarios.com.br )
LITERATURA CONSULTADA.
(1) Fonte Web Site oficial do Grande Oriente do Brasil- GOB(www.gob.org.br).
(2) CAAMINO, Rizzardo da Introdução à Maçonqaria – Histria Universal. 3ª edição. Vol 1. Rio de Janeiro. Editora Aurora, 1972[p.114].
(3) Op. Citada.[pp. 138 e139]
(4) Op. Citada [p.139]
(5) Artigo de Julio Fleichman – publicado no Web Site do seguinte endreço: http://www.permanencia.org.br/revista/historia/vital.htm

6 de janeiro de 2012

O Quarto Rei Mago


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Uma história de Henry Van Dyke

Vocês sabem a história dos três reis magos que viajaram do Oriente para Belém para adorar a Jesus e lhe ofertar as dádivas de ouro, incenso e mirra.

Vou-lhes contar a história do quarto rei mago que também viu a estrela e resolveu segui-la e do seu grande desejo de adorar o Rei Menino e lhe oferecer as suas prendas.

Ele morava nas montanhas da Pérsia e o seu nome era Artaban. Era um médico, alto, moreno, de olhos bem escuros: a fisionomia de um sonhador, a mente de um sábio. Um homem de coração manso e espírito indominável.

Era um homem de posses. A sua moradia era rodeada de jardins bem tratados com árvores de frutas e flores exóticas. Suas vestes eram de seda fina e o seu manto da mais pura lã. Era seguidor de Zoroastro e numa noite se reuniu em conselho com nove membros da mesma seita. Eram todos sábios!

Artaban lhes falou sobre a nova estrela que vira e o seu desejo de segui-la. Disse-lhes:

"- Como seguidores de Zoroastro aprendemos que os homens vão ver nos céus, em tempo apontado pelo Eterno, a luz de uma nova estrela e nesse dia, nascerá um grande profeta e Ele dará aos homens a vida eterna, incorruptível e imortal, e os mortos viverão outra vez! Ele será o Messias, o Rei de Israel.

E continuou:

"- Os meus três amigos Gaspar, Melchior, Baltazar e eu, vimos a grande luz brilhante de uma nova estrela á vários dias e vamos sair juntos para Jerusalém para ver e adorar o Prometido, o Rei de Israel. Vendi a minha casa e tudo o que possuo e comprei estas jóias: uma safira, um rubi e uma pérola para oferecer como tributo ao Rei. Convido-os para virem comigo nesta peregrinação para juntos adorarmos o rei!”

Mas um véu de dúvida cobriu as faces de seus amigos:

"- Artaban! Isso é um sonho em vão. Nenhum rei vai nascer de Israel! Quem acredita nisso é um sonhador!"

E um a um, todos o deixaram.

"- Adeus amigo!"

Artaban pesquisando os céus viu de novo a estrela.

"- É o sinal!" Disse ele. "- O Rei vai chegar e eu vou encontrá-lo."

Artaban preparou o seu melhor cavalo, chamado Vasda, e de madrugada saiu ás pressas, pois, para encontrar no dia marcado com Gaspar, Melchior e Baltazar, que já estavam a caminho, ele precisava cavalgar noite e dia. Já estava escurecendo e ainda faltavam mais ou menos três horas de viagem para chegar ao sítio de encontro e ele precisava estar lá antes de meia noite ou os três magos não poderiam demorar mais à sua espera!

“- Mas, o que é isto?”

Na estrada, perto de umas palmeiras, o seu cavalo Vasda, pressentindo alguma coisa desconhecida, parou resfolegando, junto a um objeto escuro perto da última palmeira.

Artaban desmontou. A luz das estrelas revelou a forma de um homem caído na estrada. Um pobre hebreu entre os muitos que moravam por perto. A sua pele estava seca e amarela e o frio da morte já o envolvia. Artaban depois de examiná-lo, deu-o por morto e voltou-se com um coração triste pois nada podia fazer pelo pobre homem.

“- Mas o que foi isto?”

"- Que devo fazer? Se me demorar, os meus amigos procederão sem mim. Preciso seguir a estrela! Não posso perder a oportunidade de ver o Príncipe da Paz só para parar e dar um pouco de água a um pobre hebreu nas garras da morte!"

"- Deus da Verdade e da Pureza, dirige-me no teu caminho santo, o caminho da sabedoria que só tu conheces!"

E Artaban carregou o hebreu para a sombra de uma palmeira e tratou-o por muitos dias até que êle se recuperou.

"- Quem és tu?" perguntou ele ao mago.

"- Sou Artaban e vou a Jerusalém à procura daquele que vai nascer: O Príncipe da Paz e Salvador de todos os homens. Não posso me demorar mais, mas aqui está o restante do que tenho: pão, vinho, e ervas curativas."

O hebreu erguendo as mãos aos céus lhe disse:

"- Que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó o abençoe; nada tenho para lhe pagar, mas ouça-me: Os nossos profetas dizem que o Messias deve nascer, não em Jerusalém mas em Belém de Judá."

Assim, já era muito mais de meia noite e vários dias mais tarde quando Artaban montou de novo o seu cavalo Vasda e num galope rápido prosseguiu ao encontro de seus amigos.

Aos primeiros raios do sol, checou ao lugar do encontro. Mas... onde estavam os três magos? Artaban desmontou e ansioso, estudou todo o horizonte. Nem sinal da caravana de camelos dos seus amigos! Então entre uma pilha de pedras achou um pergaminho e a mensagem:

"- Não pudemos esperar mais, vamos ao encontro do Rei de Israel. Siga-nos através do deserto."

Artaban sentou-se e cobriu a cabeça em desespero!

"- Como posso atravessar o deserto sem ter o que comer e com um cavalo cansado? Tenho mesmo que regressar à Babilónia, vender a minha safira e comprar camelos e provisões para a viagem. Só Deus, o misericordioso, sabe se vou encontrar o Rei de Israel ou não, porque me demorei tanto ao mostrar caridade,"

Artaban continuou a via pelo deserto e finalmente chegou em Belém, levando o seu rubi e a sua pérola para oferecer ao Rei. Mas as ruas da pequena vila. pareciam desertas. Pela porta aberta de uma casinha pobre, Artaban ouviu a voz de uma mulher cantando suavemente. Entrou e encontrou uma jovem mãe acalentando o seu bebé.

Três dias passados Ela lhe falou sobre os três magos que estiveram na vila a que disseram terem sido guiados por uma estrela ao lugar onde José de Nazaré, sua esposa Maria, e o seu bebé Jesus estavam hospedados. Eles trouxeram prendas de ouro, incenso e mirra para o menino. Depois, desapareceram tão rapidamente quanto apareceram. E a família de Nazaré também saiu à noite, em segredo, talvez para o Egito.

O bebê nos seus braços olhou para o rosto de Artaban e sorriu estendendo os braçinhos para ele.

“Não poderia essa criança, ser o Príncipe Prometido? Mas não! Aquele que procuro já não está aqui e eu preciso encontrá-lo no Egito!”

A Jovem mãe colocou o bebê no leito e preparou um almoço para o estranho hospede que veio à sua casa. Subitamente, ouviu-se uma grande comoção nas ruas: gritos de dor, o chorar de mulheres, tocar de trombetas e o clamor:

"- Soldados! os soldados de Herodes estão matando as nossas crianças!"

A jovem mãe, branca de terror escondeu-se no canto mais escuro da casa, cobrindo o filho com o seu manto para que ele não acordasse e chorasse.

Mas Artaban colocou-se em frente à porta da casa impedindo a entrada dos soldados. Um capitão aproximou-se para afastá-lo. A face de Artaban estava calma como se estivesse observando as estrelas. Fitou o soldado um instante e lhe disse:

"- Estou sozinho aqui, esperando para dar esta jóia ao prudente capitão que vai me deixar em paz.”

E mostrou o rubi brilhando na palma da sua mão como uma grande gota de sangue.

Os olhos do capitão brilharam com o desejo de possuir tal jóia!

"- Marchem, Avante!" Gritou aos seus soldados. "- Não há criança aqui!"

E Artaban olhando os céus orou:

"- Deus da Verdade, perdoa o meu pecado! Eu disse uma coisa que não era, para salvar uma criança. E duas das minhas dádivas já se foram. Dei aos homens o que havia reservado para Deus. Poderei ainda ser digno de ver a face do Rei?"

E Artaban prosseguiu na sua procura entre as pirâmides do Egito, em Heliopólis, na nova Babilónia às margens do Nilo... Numa humilde casa em Alexandria, Artaban procurou o conselho de um velho rabi que lhe falou das profecias e do sofrimento do Messias prometido e receitado pelos homens.

"- E lembre-se, meu filho: o Rei que procuras não o vais encontrar num palácio ou entre os ricos e poderosos. Isto eu sei: os que o procuram devem fazê-lo entre os pobres e os humildes, os que sofrem e são oprimidos."

E Artaban passou por lugares onde a fome era grande. Fez a sua morada em cidades onde os doentes morriam na miséria. Visitou os oprimidos nas prisões subterrâneas, os escravos nos mercados de escravos...

Em toda a população de um mundo cheio de angústia ele não achou ninguém para adorar, mas muitos para ajudar! Ele alimentou os que tinham fome, cuidou dos doentes, e confortou os prisioneiros... E os anos passaram... 33 anos.

E os cabelos de Artaban já não eram pretos, eram brancos como a neve nas montanhas. Velho, cansado e pronto para morrer era ainda um peregrino à procura do Rei de Israel e agora em Jerusalém onde havia estado muitas vezes na esperança de achar a família de Belém.

Os filhos de Israel estavam agora na cidade santa para a festa da Páscoa do Senhor e havia uma agitação e excitamento singular. Vendo um grupo de pessoas da sua terra, Artaban lhes perguntou o que se passava e para onde o povo se dirigia.

"- Para o Gólgota!" lhe responderam, "- ...pois não ouviste? Dois ladrões vão ser crucificados e com eles, um homem chamado Jesus de Nazaré, que dizem, fez coisas maravilhosas entre o povo. Mas os sacerdotes exigiram a sua morte, porque disse ser o Filho de Deus. Pilatos O condenou a ser crucificado porque disseram ser Ele o Rei dos Judeus.”

"Os caminhos de Deus são mais estranhos do que o pensamento dos homens," pensou Artaban. "Agora é o tempo de oferecer a minha pérola para livrar da morte o meu Rei!"

Ao seguir a multidão em direção ao portal de Damasco, um grupo de soldados apareceu arrastando uma jovem rapariga com vestes rasgadas e o rosto cheio de terror.

Ao ver o mago, a jovem reconheceu-o como da sua própria terra e libertando se dos guardas atirou-se aos pés de Artaban:

"- Tenha piedade!...”, ela implorou,..."e pelo Deus da pureza, salva-me! Meu pai era mercador na Pérsia mas faleceu e agora vão me vender como escrava para pagar seus débitos! Salva-me!"

Artaban tremeu. Era o velho conflito da sua alma entre a fé, a esperança e o impulso do amor. Duas vezes as dádivas consagradas foram dadas para a humanidade. E agora? Uma coisa ele sabia:

“- Salvar essa jovem indefesa era um gesto de amor. E não é o amor a luz da alma?”

Ele tirou a pérola de junto ao seu coração. Nunca ela pareceu tão luminosa! Colocou-a na mão da moça:

"- Este é o teu pagamento, o último dos tesouros que guardei para o Rei!"

Enquanto ele falava uma escuridão profunda envolveu a terra que tremeu consultivamente! Casas caíram, os soldados fugiram mas Artaban e a moça protegeram-se de baixo do telhado sobre as muralhas do Pretório.

"- O que tenho a temer,” pensou ele," ...e para quê viver? Não há mais esperança de encontrar o Rei, a procura terminou, eu falhei.”

Mas mesmo esse pensamento lhe trouxe paz pois sabia que viveu de dia a dia da melhor maneira que soube. Se tivesse que viver de novo a sua vida não poderia ser de outra maneira.

Mais um tremor de terra e uma telha desprendeu-se do telhado e feriu o velho mago na cabeça. Repousou no chão e deitou a cabeça nos ombros da jovem com o sangue a escorrer do ferimento.

Ao debruçar-se sobre ele, ela ouviu uma voz suave, como música vindo da distancia. Os lábios de Artaban moveram-se como em resposta e ela escutou o que o velho mago disse na sua própria língua:

"- Não meu Senhor! Quando te vi com fome e te dei de comer? ou com sede e te dei de beber? ou quando te vi enfermo ou na prisão e fui te ver?

Por 33 anos eu te procurei, mas nunca vi a tua face, nem te servi, meu Rei!"

E uma voz suave veio, mas desta vez dos céus. A jovem também compreendeu as palavras.

"- Em verdade, em verdade vos digo que quando o fizeste a um destes meus irmãos a mim o fizeste!"

Uma alegria radiante iluminou a face calma de Artaban.

Um suspiro longo e aliviado saiu de seus lábios.

A viagem para ele havia terminado.

O quarto mago, Artaban, compreendeu que havia encontrado o seu Rei durante toda a sua vida!

Colab: Ir.'. Weber Varrasquim, 33º - GLESP


28 de dezembro de 2011

“Maçonaria do século XXI: Pensar, sentir e viver”.

MUDANÇA DE MODELO MENTAL [1] S.'.S.'.S.'. Iniciaremos a exposição desta parte perguntando: por que razão a cultura Vigente – ocidental ou oriental – apresenta, em todas as partes, sintomas inconfundíveis que prenunciam sua inevitável decadência? A resposta parece clara, simples e unívoca: porque falha pela base. E a que se deve o fato de ela falhar pela base? Às seguintes causas, poder-se-á dizer:
a) Não foi nem é capaz de ensinar ao homem a conhecer a si mesmo.
b) Não lhe ensinou a conhecer o mundo mental que o rodeia, interpenetra e influi poderosamente em sua vida.
c) Não lhe ensinou a compreender, amar e respeitar o Autor da Criação, nem a descobrir sua Vontade através de suas Leis e das múltiplas manifestações de seu Espírito Universal. O fato de não se ter ensinado ao homem a conhecer sua vida interna, plena de recursos e energias para quem sabe aproveitar tão imponderável riqueza, tem sido a causa que o faz ceder, sem maior resistência, à tentação de fundir-se na multidão anônima, consumando-se assim a perda de sua individualidade. Desde os alvores da atual civilização, foram se somando, dia após dia, os que nenhum esforço fazem para superar sua inércia mental e volitiva. Das faculdades de sua inteligência, só funcionam com preponderância a imaginação e a memória. As demais trabalharam e trabalham só por necessidade ou por alguma premência, observando-se sempre uma acentuada insuficiência, devido à sua habitual inércia. Estamos nos referindo à maioria dos seres, ao homem que não organizou seu sistema mental de modo que todas as faculdades de seu mecanismo inteligente funcionem, alternada e ativamente, no ofício construtivo que devem desempenhar. Para pensar a Maçonaria do século XXI é preciso partir da base do modelo mental (ou modo de pensar, ou sistema de pensamento) por meio do qual construímos o nosso mundo. Há poucas esperanças de mudar o mundo que elaboramos, ao longo de nossa interação com ele, se não modificarmos antes o modo de pensar que utilizamos para essa construção. Assim, propomos que, do ponto de vista do Acolhimento Maçônico, o pensar (que inclui o sentir), e o viver sigam a seguinte dinâmica:
Mudar o modo de Sentir ¥
Mudar o modo de Pensar ••
Mudar o modo de Falar ••
Mudar o modo de Agir •
O diagrama exprime algumas das principais dimensões do ser humano: o sentir, o pensar, o falar e o agir. Todas estão entrelaçadas, de modo que modificações em qualquer uma repercutirão sobre as demais.
Trata-se de uma abordagem integrada e integradora, na qual tudo acolhe tudo e por tudo é acolhido. Isso significa que é preciso, antes de qualquer coisa, compreender que o privilégio dado por nossa cultura à tecno ciência, em prejuízo das humanidades, é um dos principais obstáculos à colocação em prática das iniciativas ou objetivos da Maçonaria. Portanto, desde o início convém ter em mente que aquilo que se deseja, é introduzir ações de acolhimento numa cultura que é ou está basicamente não-acolhedora, uma cultura na qual a competição predatória, a devastação da natureza e a exclusão social não recebem o grau de atenção e questionamento que deveriam. Estas palavras, porém, não devem ser tomadas como desestímulo ou pessimismo, mas sim como um convite à reflexão. Para pôr em prática os objetivos sociais da Maçonaria é preciso mudar de modelo mental. Trata-se de uma mudança ampla e profunda, que não pode ser feita por meio de iniciativas superficiais e de curto prazo. Eis o nosso desafio. Sem compreende-lo e buscar meios de supera-lo, nossas boas intenções cairão no vazio.– Ciência, arte e cultura ao mesmo tempo, a Maçonaria transcende a esfera comum, configurando uma doutrina de ordem transcendente. Como doutrina, está destinada a nutrir o espírito das gerações presentes e futuras com uma nova força energética, essencialmente mental, necessária e imprescindível para o desenvolvimento das aptidões humanas. São atributos desta fecunda doutrina: a elevação de miras, a amplitude na concepção das possibilidades do homem, sua autêntica veracidade e a vigência permanente de suas razões medulares. A cultura Maçônica é inconfundivelmente singular: não contém um só elemento estranho à originalidade de sua fonte, por ser original a concepção que a sustenta.– Lidar com esses obstáculos exige, antes de tudo, que pratiquemos o que propomos. O pensar inclui o sentir. Em geral, sentimos antes de pensar. Ou, de modo inverso, o que pensamos produz sentimentos. Pode-se dizer então que o sentir e o pensar se influenciam mutuamente, isto é, estão em relação circular. Para trabalhar a interação entre o sentir, o pensar, o falar e o agir propomos começar examinando o que sentimos diante do sofrimento e da doença ou de outro infortúnio. Nossa proposta é iniciar pelo sentir e depois entrar em contato com o que pensamos, segundo vários pontos de vista, ou sejam, o dos que podem e devem resolver o problema, o do “paciente” ou queixoso, o de seus familiares e o da comunidade. Examinemos alguns dos nossos sentimentos diante de tais situações e da necessidade de buscar atendimento, ou mesmo da necessidade de, fora dessas situações, procurar ações preventivas. Em geral, os profissionais, como é a praxe em nossa cultura, foram preparados para sentir, pensar, falar e agir com base na lógica binária: o modelo mental de causa e efeito, a lógica do "ou/ou". O pensamento binário é uma forma de pensamento dicotômico que separa o inseparável. A conveniência de uma visão dicotômica da realidade se consolidou como uma “regra” histórica para modelar a interpretação da realidade e a transformação do mundo. Há cerca de 500 anos, Maquiavel separou o “político” do “moral”; Galileu separou a “realidade material quantificável” da “experiência sensorial intangível”; Descartes separou a “mente” da “matéria”; Bacon separou a “ciência” da “sociedade”; Hobbes separou o “poder” do “povo” e Smith separou o “econômico” do “político”. Este falso dualismo influenciou a forma de pensar e, portanto, a forma de agir de todas as gerações posteriores a estes pensadores. A humanidade, hoje, está confusa frente à proliferação das falsas dicotomias criadas por esta forma de pensar que, por conveniência política ou por inocência intelectual, exige dos “construtores sociais” um posicionamento frente a estes falsos dilemas. Isso tanto drena energia social como gera oposições desnecessárias dentro e entre grupos sociais, enquanto os promotores desse tipo de pensamento se beneficiam da confusão criada. Trata-se, portanto, de um padrão que exclui em vez de acolher, que separa em vez de juntar, que fala de ações, não de interações, de vivencia e sobrevivência em vez de convivência. Em especial, é um modelo que privilegia as partes isoladas, em prejuízo das relações. A esse respeito Václav Havel, ex-presidente da República Checa, tem uma frase que não deve ser esquecida: "Educação é a capacidade de perceber as conexões ocultas entre os fenômenos". Por sua vez, Elizabeth Rondon Amarante, neta do Marechal Rondon, em contato com os índios myky, descobriu que na língua deles não existe o verbo "viver"; em seu lugar está o verbo "conviver", que significa morar com, viver com, viver com o mundo, com os outros e consigo mesmo. Relação, eis a palavra-chave, a argamassa do Maçom. Se sabemos tudo sobre uma espécie vegetal ou animal, uma técnica, um tratamento, etc., podemos dizer que somos especialistas, eruditos. Mas só quando compreendemos e vivemos as relações entre as pessoas, as coisas e os fenômenos é que somos realmente educados. Nesse sentido, Maçonaria é educar. E a formação maçônica é, pois, um processo pedagógico. No contexto das ações de formação de profissionais, a maior preocupação de nossas escolas e faculdades, predominantemente voltadas para a tecno-ciência, é instruir, adestrar e treinar. Mas, poucas educam. Poucas ensinam aos que nelas estudam a compreender que a percepção das relações, das interações, pode diminuir a incerteza e, portanto, atenuar o medo. Uma sociedade regida por um sistema de pensamento que privilegia a divisão, o afastamento, o não-acolhimento é uma sociedade de desconhecidos, de estranhos. O desconhecimento produz a desconfiança, e esta alimenta o medo e é por ele realimentada. Se temos medo de entrar em contato com nossos sentimentos, emoções e subjetividades, acabamos adotando uma visão de mundo em que tudo nos parece externo, objetivo. É como se não compartilhássemos o mesmo mundo com as pessoas com as quais lidamos no cotidiano. Como então colocar-nos no lugar delas? Esse raciocínio faz lembrar um mito da Grécia clássica: a história do Curador Ferido. Conta a lenda que a arte de curar foi ensinada por Apolo ao centauro Quíron. Este, por sua vez, a transmitiu a Esculápio, o deus da medicina. Com Quíron, Esculápio aprendeu a praticar a cura pelas ervas. Entretanto, Quíron tinha uma ferida que jamais cicatrizava: ele vivia curando os outros, mas estava sempre doente, sempre sofrendo, e por isso era capaz de compreender os sofrimentos daqueles a quem tratava. Esse mito pode ser interpretado como uma sugestão da necessidade que o maçom tem de reconhecer a sua própria vulnerabilidade, isto é, precisa tomar consciência de sua própria ferida, que representa a possibilidade de ele próprio “adoecer” e sofrer. Em outros termos, colocar-se no lugar do outro para poder avaliar o sofrimento dele e, então exercer a solidariedade e a fraternidade. Ora, vivemos numa sociedade de competição, de heróis violentos e homens armados. A todo o momento na televisão, cinema, internet e outras mídias, somos encorajados a ser prepotentes, truculentos, conquistadores. Ocultamos o sentimento de culpa pela parte que nos cabe na injustiça social com a crença que precisamos ser competitivos, machistas e imperiais. Tudo isso nos leva a sentir vergonha de ser compassivo e acolhedor; vergonha de comover-nos; de sentir e prestar solidariedade; de não ser “durão”; de não parecer “lógicos” e racionais. Adotamos uma atitude de frieza e indiferença que, no fim das contas, acaba se voltando contra nós mesmos. Por outro lado, a defensividade nos afasta do mundo e de nós próprios. Sentimo-nos injustiçados, o que nos faz ser injustos para com os outros. Não nos damos conta de que vivemos numa sociedade em que tudo foi reduzido ao fator econômico e que este a cada dia vem sendo reduzido ao financeiro. Não percebemos que nem mesmo as ações básicas de saúde, educação e segurança escaparam a esse mecanismo. Em consequência, quanto menos nos damos conta disso, ou seja, quanto mais nos deixamos alienar, mais aumenta a nossa frustração. Todas essas circunstancias fazem com que sintamos pena de nós mesmos: como pude acabar assim? Foi para isso que estudei tanto? Foi para isso que me preocupei tanto? A auto piedade acaba nos tornando ainda mais isolados, mais defensivos, mais alienados. Se nos vermos como coitados, teremos pena de nós mesmos. Com isso, o Máximo que poderemos ter, em relação aos outros, é também pena. A auto piedade leva a ter dos outros. Pode até facilitar atitudes de “ajuda”, mas não promove o acolhimento, não promove a verdadeira ação maçônica. Ter pena gera assistencialismo, paternalismo. Separa em vez de acolher. É o método objetivo de quem não quer se envolver. A compaixão, ao contrário, conduz ao Acolhimento. Compaixão não significa sentir pena, como muitos pensam. Compaixão, quer dizer colocar-se no lugar do outro para avaliar-lhe e compreender lhe as necessidades e sofrimentos, e assim poder acolhe-lo e conforta-lo. No contexto das ações interpessoais, nossos modos básicos de sentir têm como apoio a divisão, a fragmentação, a pouca compreensão do que significa relacionar-se, ligar-se, acolher, comprometer-se, compartilhar. Nossas ações são em geral vistas como relações de uso. Vemo-nos como fornecedores de produtos e serviços que se destinam a "usuários". O uso pressupõe o descarte e a posterior exclusão, isto é, um segmento da população utiliza outro e depois o descarta. Em suma: nosso sentir atual é desagregador, separador, disjuntivo. Não compreendemos bem a extensão e a profundidade da ideia de relação, junção, participação. Nosso sentir é o de quem não aprendeu a pôr-se no lugar do outro. É um sentir não-acolhedor e, portanto, não-maçônico. A Maçonaria é identificada como um processo que requer a simultaneidade de várias iniciativas, é necessário começar pela modificação do nosso modo de sentir. A primeira providência para tanto é educacional. Ela requer uma reaproximação com a cultura humanística, que vem há longo tempo sendo posta em plano secundário. Os conhecimentos Maçônicos – os verdadeiros iniciados sabem – não devem ser lidos ou escutados sem a necessária atenção. Tampouco devem ser absorvidos de forma ligeira e superficial pelo entendimento, pois estão destinados a formar uma nova individualidade. Hão de ser, forçosamente, assimilados pela consciência. Por outra parte, os conhecimentos Maçônicos conformam um todo indivisível na concepção que lhes deu origem, razão esta que deve levar o Iniciado a uma investigação mais profunda, a fim de abarca-los em sua totalidade, não em fragmentos isolados. O verdadeiro Maçom deve ter em mente os grandes objetivos no desbastar da Pedra Bruta que são:
1) A evolução consciente do homem, mediante a organização de seus sistemas mental, sensível e instintivo.
2) O conhecimento de si mesmo, que implica o domínio pleno dos elementos que constituem o segredo da existência de cada um.
3) A integração do espírito, para que o ser possa aproveitar os valores que lhe pertencem, originados em sua própria herança.
4) O conhecimento das leis universais, indispensável para ajustar a vida a seus sábios princípios.
5) O conhecimento do mundo mental, transcendente ou metafísico, onde têm origem todas as idéias e pensamentos que fecundam a vida humana.
6) A edificação de uma nova vida e de um destino melhor, superando ao máximo as prerrogativas comuns.
7) O desenvolvimento e o domínio profundo das funções de estudar, de aprender, de ensinar, de pensar e de realizar, com o que o método maçônico se transubstancia em aptidões individuais de incalculável significado para o porvir pedagógico na educação da humanidade. Como se pode ver, não se trata de um estudo a mais entre os tantos conhecidos, mas sim do mais valioso de todos os estudos. Por isso, não deve ficar na superfície mental do indivíduo, pois nada de útil daí resultaria. Quem se inicia nos estudos da Arte Real deve fazê-lo com profundidade, incorporando à sua vida, o saber que surge deles. Procedendo assim, assimilando internamente cada tópico aprendido, verificará a eficácia do poder criador e dinâmico destes conhecimentos. Então verá, com os olhos do entendimento, como ficam impressos indelevelmente em sua consciência. Diremos, portanto, que se estuda e se pratica a Maçonaria seguindo o método que ela mesma estabelece. Esse método, essencialmente psicodinâmico, prescreve o estudo e prática no individual, complementado com o intercâmbio e prática no coletivo.

[1]Do autor Luiz Carlos Silva, 33º do R.'.E.'.A.'.A.'.. Extraído do livro “Maçonaria do século XXI: Pensar, sentir e viver”.